Empatia

Esses dias encontrei um amigo aqui em Lisboa para beber uma cervejinha no Bar Lisboa próximo à estação do Rossio. Fizemos nosso pedido ao barman, Fábio, um rapaz muito simpático e cheio de boa disposição para conversar com seus clientes. Pegamos nossa cerveja e saímos para conversar em frente ao bar. Enquanto discutíamos qualquer banalidade, um rapaz veio até nós. Ele mora nas ruas de Lisboa e quer uma pequena colaboração para poder pagar o albergue onde passaria a noite. Ele acaba nos contando um pouco sobre a sua vida antigamente e sobre as dificuldades que passa nas ruas. Entre outras coisas, nos conta como é difícil lidar com as pessoas que o ignoram, que viram a cara, que algumas vezes até são rudes com ele.

Ouvimos com atenção sua história, interessados e por vezes até sorrindo. Dado um certo momento, ele nos agradece o sorriso e a simpatia. Você consegue se imaginar nessa posição? Agradecendo a alguém por uma coisa tão simples e que deveria ser tão banal como um sorriso… Isso me deixou com um nó na garganta. Seguimos conversando e meu amigo pergunta como ele se chama. Nesse momento, o rapaz chora, emocionado que alguém o trate como um igual, como um ser humano que tem sentimentos, não como um ser dos submundos, invisível e às margens do universo. Conversamos mais um pouco, lhe damos o que podemos, ele então se despede e segue seu caminho. Nós ficamos refletindo sobre como pequenas ações importam e muito.

Por causa desta reflexão resolvi escrever aqui sobre o assunto. Convido todos que estejam lendo este post a se colocarem no lugar do Nuno. Quando a vida por si mesma já está sendo uma penitência, aposto que você também gostaria de receber uma trégua dos seus companheiros seres humanos, não? Temos que lembrar que para cair basta estar em pé e que há milhares de motivos pelos quais alguém acaba em uma posição desfavorável, muitas vezes podendo fazer pouco ou nada para evitar os golpes de azar que nos assolam ao longo da vida. Também vale lembrar que não nos cabe nem o papel de juiz nem o de algoz da vida alheia. Estes são exatamente os momentos em que precisamos de empatia, compaixão, gentileza, dignidade. Convido você a exercitar estes “músculos”, por vezes atrofiados na corrida da vida, tão agitada e ocupada. Vamos? 🙂